Adoção Comportamento

Mais um gato? Sim ou não?

Basta entrar no Instagram para me encantar com algum gato para adoção. Sempre acho que mais um gato não faria mal para ninguém. Afinal já tenho seis (sim, seis), por qual motivo não poderia ter mais um? Um casal ou irmãos talvez? Afinal, li no blog Crazy Cat Gang que é mais fácil adotar dois do que um. Opa! Opa! Muita calma nessa hora! Na verdade podemos fazer mal sim! Para o novo gato, para os gatos que já convivem conosco e para nós.

Provavelmente, todo tutor de gatos se encanta com a ideia de multiplicar o amor que sente por seu companheiro. Porém, manter um animal saudável não é barato e demanda muito trabalho. São vacinas, vermífugos, castração (sim, tem que castrar), consultas, ração, areia, caixas de areia (sabia que o número de caixas de areia que você deve ter é igual ao número de gatos + 1?), limpar as caixas de areia, eventuais procedimentos cirúrgicos, ultrassom, carinho, brincadeiras, enriquecimento ambiental, etc. Além disso você precisa cuidar da sua saúde e higiene! Ter um número elevado de animais pode aumentar significativamente a chance de você desenvolver problemas de saúde pública e zoonoses (doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos).

A primeira vez que se falou cientificamente do assunto foi em 1981 por Dooley Worth e Alan M. Beck. Na época, ainda não era considerado um transtorno, mas se observava um potencial risco ao desenvolvimento de problemas de saúde nos “proprietários de muitos animais”. Neste estudo, os pesquisadores avaliaram 31 indivíduos em Nova Iorque. Os resultados apontaram que os participantes da pesquisa possuíam em média 34 gatos e 21 cachorros! A maioria eram pessoas com nível socioeconômico baixo e moravam sozinhos. Os animais e seus tutores foram encontrados pelos pesquisadores em condições insalubres. O número elevado de animais era consequência da não castração, da acumulação compulsiva e da incapacidade dos tutores em colocar seus gatos para adoção.

Desde então, devido o padrão observado entre “proprietários de muitos animais” e o risco de problemas de saúde, trata-se como um tipo de transtorno mental. O manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (5a edição) nomeia o problema como transtorno de acumulação. Mas o que difere ser um tutor de muitos animais de um acumulador? O quanto você consegue cuidar deles e de si. Leve em consideração que eventualmente, podemos passar por períodos de crise como desemprego, dificuldades financeiras e afins. E nossos companheiros não podem sofrer em decorrência desse risco. 

Os estudos apontam que a maioria dos acumuladores são mulheres com mais idade e que vivem sozinhas. Sendo que há a hipótese de que a acumulação se agrave com a idade. Na maioria dos estudos, os pesquisadores encontram animais que faleceram no meio de outros em condições precárias (sim, é impressionante!).

Então, antes de adotar um novo companheiro, pense bem! Você consegue arcar com os gastos? Você consegue manter a limpeza da sua casa? E se o gatinho ficar doente? E como vai ficar o gatinho que atualmente está com você? Tome uma decisão madura! Que tal compartilhar fotos do gatinho na sua rede social? Ajudar a divulgar a ONG fazendo lar temporário? Com certeza você se sentirá bem ao saber que aquele lindo gatinho encontrou um lar que vai cuidar dele bem!

Você pode ler o artigo completo nesse link aqui.

Carlos Aznar

Psicólogo, especialista em Psicologia Clínica e mestre em Psicologia Forense pela Universidade Tuiuti do Paraná. Doutor em Psicologia pela PUCRS. Amante da música e curioso sobre comportamento felino.

Não pare por aí, você pode gostar de ler sobre ...